Por Iracema Portella

Foi lançado no último dia 19 de outubro, no Rio de Janeiro, um documentário produzido pelo Ministério da Saúde sobre a rotina de mulheres que se submeteram à cirurgia de retirada da mama, a mastectomia. As informações são da Agência Brasil. Intitulado “Amigas do Peito: Redes de Afetos no Cuidado”, o vídeo foi feito com o grupo de pacientes do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na zona oeste da capital fluminense. O filme conta a história das pacientes do projeto Amigas do Peito, criado há dez anos por profissionais de saúde do hospital, que já atendeu dezenas de mulheres mastectomizadas.

As mulheres trocam informações, visitam outras que vão passar por essa operação e mostram como é a vida após a cirurgia para a retirada da mama. O objetivo do grupo é acolher essas pacientes, ajudá-las a recuperar sua autoestima e a enfrentar as dificuldades que permeiam o caminho de quem enfrenta um câncer de mama e as intervenções cirúrgicas necessárias por conta da doença. É uma verdadeira rede de apoio emocional para as mulheres. O grupo conta com o trabalho de uma equipe multidisciplinar, composta por ginecologista, psicóloga, fisioterapeuta, nutricionista, enfermeira e assistente social. Essa experiência multidisciplinar será usada como referência na humanização no cuidado de mulheres em tratamento do câncer de mama em hospitais federais. O câncer de mama é o tipo de tumor mais frequente entre as mulheres do Brasil e do mundo. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer, o INCA, para o nosso País, em 2016, são esperados 57.960 novos casos desse tipo. “A princípio, quando você recebe a notícia, não aceita bem.

É muito difícil”, conta, no documentário, uma das pacientes, Angela Borges. “A gente fica com um monte de interrogações. Como vai ser minha vida a partir daquele momento? Como vai ser com o trabalho? Como vai ser minha vida como mulher, como esposa? O que vou poder fazer dentro de casa? É um bicho papão. Para mim, foi como se eu tivesse recebido uma sentença de morte”, desabafa. Segundo Angela, a situação foi mudando, justamente, com a ajuda das outras mulheres que estavam passando pela mesma situação. “O grupo proporcionou otimismo, vontade de persistir e de enfrentar tudo com dignidade e coragem”, conta ela. Iniciativas como esta são fundamentais para o sucesso do tratamento contra o câncer de mama. É preciso humanizar mais essa atenção, esse olhar.

As mulheres devem ser acolhidas pelos profissionais de saúde, que desempenham um papel que vai muito além da questão técnica. A criação de grupos de apoio é uma estratégia maravilhosa, que realmente merece ser replicada em todo o País. Portanto, parabenizo toda a equipe envolvida nessa ação tão importante para as mulheres que passam pelo câncer de mama e, assim, podem superar tudo com muito mais força.