Por Iracema Portella

Um novo estudo, divulgado recentemente, traz dados preocupantes sobre a área de saneamento básico no Brasil. Segundo o levantamento, 70% dos municípios brasileiros não contam ainda com estação de tratamento de esgoto. Os dados são do Atlas Esgoto: Despoluição de Bacias Hidrográficas, lançado no dia 26 de setembro, em Brasília, pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Ministério das Cidades. As informações foram veiculadas pela Agência Brasil. O documento fez um mapeamento dos 5.570 municípios do país e revela uma situação alarmante: menos da metade dos brasileiros tem solução de esgotamento sanitário.

Apenas 39% dos dejetos produzidos são coletados e tratados. Um número que está longe do patamar de 60%, que é determinado pela legislação do setor. De acordo com o Atlas Esgoto, mais de 110 mil quilômetros de trechos de rios estão com a qualidade comprometida devido ao excesso de carga orgânica. Em mais de 75% desses trechos não é permitido o abastecimento público devido à poluição, destaca a matéria da Agência Brasil.

Os maiores desafios, conforme o relatório, estão no Norte do país. O atlas revela que apenas 14% dos municípios tratam pelo menos 60% do que é coletado. E a maioria dessas cidades está localizada no Sudeste. Na opinião do presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, ouvido pela Agência Brasil, o atlas é um dos melhores estudos feitos sobre saneamento básico no Brasil. Ele ressaltou que o estudo apresenta números assustadores e exige investimento do Estado em todos os níveis.

“Pelo Plano Nacional de Saneamento Básico, o Brasil precisaria investir pelo menos R$ 16 bilhões por ano, e nós nunca chegamos nesse número. No máximo, o que o Brasil investiu foi R$ 12 bilhões, e a nossa expectativa é que esse número tenha caído muito entre 2016 e 2017.

Então, nós precisamos voltar aos patamares anteriores da época do PAC, porque, se a gente não investir pelo menos R$ 16 bilhões, R$ 17 bilhões por ano, essa universalização de 20 anos vai para 40 anos, 50 anos, tranquilamente”, alertou o especialista. O Atlas trouxe informações e dados da maior relevância e é preciso que o poder público tome as medidas necessárias para que possamos ampliar os investimentos em saneamento básico rapidamente. Trata-se de uma área fundamental, central para o desenvolvimento do Brasil e, principalmente, para a qualidade de vida e a saúde da população.