Por Iracema Portella

Uma das mais graves violações dos direitos humanos é o tráfico de pessoas. Segundo a ONU, em 2016, o tráfico de pessoas movimentou 32 bilhões de dólares em todo o planeta. É uma prática que está entre as três atividades criminosas mais lucrativas do mundo, perdendo apenas para armas e drogas.

No último mês de agosto, aqui nesta Casa, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realizou audiência pública para discutir esse importante tema.Especialistas que participaram do encontro ressaltaram que a vulnerabilidade social facilita o aliciamento, que pode ser para trabalho escravo ou para fins sexuais, registrou reportagem da Agência Câmara. Na opinião de Barry Wolfe, diretor da ONG SOS Dignidade, que trabalha com travestis e transexuais, um dos problemas do tráfico de pessoas é que, muitas vezes, a vítima não se reconhece como tal, porque aceitou trabalhar com sexo para ter melhores condições de vida.

Para Rosa Maria Santos, coordenadora do Projeto Vez e Voz, que trabalha com oficinas sobre o tráfico de pessoas em escolas no Distrito Federal e em Águas Lindas de Goiás, apenas a prevenção pode evitar que crianças e adolescentes sejam seduzidos por promessas falsas.

“Em 2015, tivemos em Águas Lindas a visita de uma sul-africana que estava procurando meninos e meninas para levar para Joanesburgo, para jogar futebol e ser modelo. E uma das meninas que tinha participado do projeto me procurou e nós fomos denunciar e, graças a Deus, conseguimos salvá-las”, relatou na audiência pública. A jornalista e ativista no combate ao tráfico de pessoas, Priscila Siqueira, disse que o Brasil vive um retrocesso nesse enfrentamento com desmonte de estrutura e corte de verbas.

“Enquanto no papel está tudo bonito, na realidade, quanto mais pobre a população, maiores as consequências do tráfico de pessoas”, lamentou Priscila. É fundamental que o Brasil aperte o cerco contra tais práticas. É preciso investir mais nas ferramentas de combate às redes criminosas que atuam internacionalmente, mas também é necessário melhorar nossas políticas públicas básicas, de educação, saúde, cultura, esporte e lazer.

Temos que oferecer aos nossos jovens oportunidades concretas para que possam desenvolver todas as suas potencialidades, ficando, assim, livres de um cotidiano violento e perigoso.