por Iracema Portella

Estima-se que existam atualmente no Brasil 14,3 milhões de pessoas com diabetes. É uma doença crônica causada pela falta de produção da insulina ou pela incapacidade de o corpo usar adequadamente a que produz. A insulina é o hormônio responsável por controlar a glicose. Com a falta dessa substância, o sangue acumula altas taxas de açúcar. O diabete pode causar doenças cardiovasculares, insuficiência renal, cegueira e amputações de membros inferiores. No último dia 27 de junho, a Comissão de Seguridade Social e Família realizou audiência pública para discutir o assunto com pacientes e médicos.

Segundo participantes do encontro, não existem hoje informações sobre a doença, que, muitas vezes, nem sequer é diagnosticada ou é descoberta tardiamente, registrou matéria da Agência Câmara. Outra reclamação foi sobre a diferença de tratamentos ofertados nas diversas regiões do País e para as distintas classes sociais, além da falta de acesso a insumos, como as bombas de insulina e a própria insulina. A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), que sugeriu o debate, lembrou que uma lei brasileira (11.347/06) já assegura o acesso dos pacientes à insulina e materiais necessários à sua aplicação, salientou a reportagem da Agência Câmara.

“Precisamos saber se isso está acontecendo sem interrupção, se os pacientes têm informação. Precisamos trabalhar também a prevenção, temos uma população cada vez mais obesa e sedentária”, alertou a parlamentar. Na audiência pública, destacou a Agência Câmara, o representante do Conselho Federal de Medicina, João Modesto Filho, afirmou que mudanças simples no cotidiano são capazes de prevenir e ajudar no controle da doença, como uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos.

De acordo com a presidente eleita da Sociedade Brasileira de Diabetes, Hermelinda Pedrosa, entre as estratégias de prevenção deve estar o fortalecimento do Programa Saúde da Família, com a identificação de pacientes e o encaminhamento deles para centros especializados. Por meio de videoconferência, a audiência pública ouviu a deputada brasileira no Parlamento Italiano Renata Bueno, que falou sobre a experiência daquele país, que conta com um plano de prevenção do diabetes há 30 anos, noticiou a Agência Câmara.

“Há um sistema de prevenção, de diagnóstico, com centros de estudo em cada estado para remeter informações ao Ministério da Saúde na Itália. A cada três meses, o paciente é chamado no hospital para fazer um periódico, com um tratamento personalizado. Ele tem também o cartão do diabético e qualquer farmácia do país recebe os medicamentos necessários para fazer o controle”, contou Renata Bueno. O coordenador de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas do Ministério da Saúde, Sandro José Martins, informou, durante o encontro, que o Brasil também tem um plano de enfrentamento de males crônicos e assegura tratamento gratuito para o diabetes. Conforme dados apresentados por ele e divulgados pela reportagem da Agência Câmara, o uso de medicamentos para controle do diabetes é feito por 87,2% da população com a doença.

Segundo o representante do Ministério da Saúde, o Brasil tem reduzido em 2,1% ao ano a mortalidade de adultos em idade prematura em decorrência de complicações no diabetes. O Ministério pretende colocar em consulta pública em agosto um protocolo de diretrizes a serem adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos cuidados com esses pacientes. A representante da Associação de Pacientes com Diabetes, Vanessa Pirolo, afirmou, porém, que os avanços listados por Sandro Martins não são suficientes. Diabética há 17 anos, ela disse que muitas vezes o paciente não adere ao tratamento por falta de acesso.

“Muitas vezes eu me reúno com o Sandro e digo que não está chegando, mas ele diz que as verbas estão sendo disponibilizadas, e os municípios dizem que não estão recebendo. Fica um jogo de empurra”, criticou. Ela defendeu a aprovação do PL 6754/13, que trata da implantação de uma política nacional de prevenção do diabetes, informou a Agência Câmara. O autor do projeto, deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), acredita que a Câmara aprove a proposta até novembro. “Não se trata de despesa. Além de salvar vidas com a prevenção, faremos economia para os cofres nacionais, ao evitar internações”, sustentou. É de fundamental importância unir esforços para a aprovação deste projeto de lei, assegurando, depois, que realmente o País implante uma consistente Política de Prevenção do Diabetes.